"Até mesmo o silêncio é um texto."

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Bluebird - Charles Bukowski.

there's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I'm too tough for him,
I say, stay in there, I'm not going
to let anybody see
you.

there's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I pour whiskey on him and inhale
cigarette smoke
and the whores and the bartenders
and the grocery clerks
never know that
he's
in there.
there's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I'm too tough for him,
I say,
stay down, do you want to mess
me up?
you want to screw up the
works?
you want to blow my book sales in
Europe?

there's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I'm too clever, I only let him out
at night sometimes
when everybody's asleep.
I say, I know that you're there,
so don't be
sad.
then I put him back,
but he's singing a little
in there, I haven't quite let him
die
and we sleep together like
that
with our
secret pact
and it's nice enough to
make a man
weep, but I don't
weep, do
you?

segunda-feira, 4 de julho de 2011

"There's nothing up their sleeve".

Inverno, mas sexta-feira. Sensação de zero graus celsius na rua, mas sexta-feira. Desceram do Gol equilibrando-se no meio de tantos casacos. As mãos geladas, mesmo assim. Se olhassem contra a luz, veriam milhares de ridículos pingos que não caíam, mas podia-se dizer que flutuavam pelo ar. Não era chuva, mas também não era neve. Garoa, digamos. Aquela garoa fina completava o cenário de uma horrível noite de inverno gaúcha. Na frente do bar, as mesas e as cadeiras estavam postas, à espera de clientes.
- Eaí seu Breno!
- Opa, gurizada! E esse veranico, ein? Acho que amanhã pego a Free-Way e me vou pra Mariluz tomar banho de mar.
- Hahah, mas leva casaquinho que de noite esfria...
- Hah, pode deixar. Pilsen?
- Pilsen. Dois.
Sentaram lá dentro, não na calçada. Loucura tinha limite, afinal de contas. O bar, vazio de gente. As garrafas gelando nas prateleiras. Algumas nos freezer, para atingir a temperatura ambiente. Do radinho de trás do balcão saía a voz do Pedro Ernesto, narrando Argentina e Bolívia. Da rua, não chegava barulho algum.
Os copos chegaram, repletos com moléculas disso, combinadas com moléculas daquilo, e o levedo e o mosto e a fermentação e o lúpulo e toda a ciência que havia por trás do líquido que entrava para depois sair tão inútil quanto entrou. O senhor proprietário-garçom-caixa voltou a sentar atrás do balcão, ao lado do radinho. Brindaram. Beberam e gemeram. Depois do pequeno ritual, começaram a trocar palavras sobre os causos do trabalho, da família, dos amigos. As matérias aprofundavam-se na medida que os copos esvaziavam, eram levados à chopeira e trazidos de volta, repletos do mesmo líquido. Já tinham bebido alguns, quando desembocaram naquele papo.
- É que, tu vê, né... suicídio não é uma coisa boa...
- Como assim?
- Não pra quem morre, claro, mas pra quem fica.
- Família?
- Sim, também, mas to falando de algo maior.
- Meu pênis é que não é, então...
- Hahah, não, claro que não. To falando do sistema como um todo. Daria até pra dizer a sobrevivência da espécie, mas aí já é viagem demais.
- Explica.
- Seu Breno, mais dois aqui. Assim, é mais ou menos o mesmo motivo pelo qual sempre tem que existir pobres. Imagina se todo mundo fosse, vamos dizer educado e rico. Quem ia varrer as ruas ou recolher o lixo? Quem ia limpar o banheiro dos bares e tal?
- Aham.
- Agora pensa, será que esse povo todo é feliz? Será que o cara que trabalha oito horas num subemprego de merda, depois perde mais algumas horas indo e voltando pra casa, que ganha uma merreca que mal dá pra alimentar a mulher gorda e as cinco crias... será que esse cara é feliz? Ele chega em casa e assiste a novela onde vê mulher gostosa com carrão, mansão, festas, badalação. Tem como esse cara ser feliz?
- Tu tá falando de ti ou é impressão minha?
- Talvez esteja, mas eu ainda tenho este chopp e uma boa companhia pra essas conversas que a gente sabe não vai resolver nada, não vai levar o mundo a lugar algum, mas pelo menos faz a gente sentir que entende como a roda gira e isso nos basta, por enquanto.
- Sim. Vamos ter essas conversas mesmo depois de ter ganhado na loteria.
- Talvez. Pô, tá frio aqui, ein...
- A mãe não mandou trazer casaquinho?
- Mandou, tá no carro. Mas não vou lá pegar... tá muito frio pra sair ali na rua.
- Faz sentido.
- Bom, dizia eu que a aritmética... hehe, não, dizia eu que esse pessoal é infeliz, só pode ser, porque leva uma vida de cão enquanto vê os outros aí, indo e vindo com seu luxo e seu sorriso no rosto e...
- Mesmo que seja sorriso de fluoxetina.
- Aham, e tá tão na moda, né? Pensei em comprar alguns pra tomar no café da manhã. "You work at a smile and you go for a ride".
- Essa é velha.
- Velha, mas boa.
- Vera Fischer.
- Melhor ainda.
- A Flávia Alessandra é a nova Vera Fischer.
- Concordo. Deusa. Ah, eu beijava ela toda, até o...
- Já sei, já sei. Continua com a história dos suicídios.
- Pera, deixa me recompor.
- ...
- Onde eu tava mesmo?
- Subemprego, homens infelizes...
- Sim, tá, aí esses locos levam uma vida de merda, miserável. Se eu tivesse nessa situação - e um dia eu posso tá mesmo - o que me impediria de, sei lá, meter uma bala na cabeça, ou uma corda no pescoço?
- Deus.
- Exato. Agora, porque deus é tão conveniente no nosso esquema de vida? Pensa numa greve. Tudo para, é um caos. Bom, só ver essa dos Correios uns dias atrás. Todo mundo enlouquecido porque uma das engrenagens parou. Agora, pensa uma greve permanente. Os trabalhadores não vão trabalhar mais, porque pensaram que não tem sentido se matar dia e noite pra viver como um cachorro e morrer com o mínimo de decência. Aí decidem morrer de uma vez, abreviar a coisa toda. Hoje não tá todo mundo com uma pressa horrível de viver? Então, que se viva mais depressa e que se morra duma vez. Aí deu, né. Sem ninguém pra meter a mão no grosso... levantar as paredes, botar tijolo a tijolo pra erguer os edifícios... bom, eu não sei o que ia acontecer. Não sei se o pessoal tiraria o Gucci, ou o Armani pra pegar no pesado. Mas uma coisa eu sei, a humanidade ia sobreviver.
- Vaso ruim não quebra.
- Ah, quanta saberdoria carregam os ditos populares, não é? Daí que eu comecei a pensar nisso nessa semana, quando não sei porque cargas d'água minha mãe comentou que não se noticia gente que se suicidou. Tu vê que fulano tacou cinquenta e tantas facadas noutro, que o cara incendiou a mulher por causa de ciúme... mas suicídio não aparece. Eu nunca tinha reparado. E aí a mãe mesmo disse, "pra não incentivar". E eu pensei, claro! O ser humano é a coisa mais ridícula quando se trata disso. Viu um fazendo, ah, é normal, vamos fazer também.
- Se um pula duma ponte, o outro faz também.
- Hoje tu tá o senhor sabedoria popular, einhô...
- Heheh.
- E é isso. Se o pessoal começa a se dar conta, não, melhor, a ver que os outros fazem, vão começar a pensar: "pô, o cara fez... por que eu não"?
- Isso também dá pra aplicar na putaria das gurias de hoje. Começo com o cinema, claro, os americanos expertos... meteram uma Marilyn Monroe toda vadia e o brasileiro começou a comprar a ideia. Hoje, claro, a ideia amadureceu e o hip hop e aqueles clipes pornôs tão fazendo a frente. Mas é isso, a menina é santa até ver a tv. Aí já fica um pouco safadinha, mas ainda tem uma certa noção. Mas aí chega na festinha e vê as amiguinhas de mão em mão, ou melhor, de boca em boca...
- De pau em pau, já dá pra dizer.
- Sim! E a gente adora!
- Mas claro!
Brindaram. Sem entusiasmo. Um brinde clássico.
- Concordo com teu papo sobre o suicídio. E essa coisa do jornal eu já sabia, mas nunca juntei os pontos. Legal lembrar disso agora.
- Pois é. Aí veio a igreja, muito sábia e muito malandrinha, e disse que quem se suicida vai pro inferno. Resolveu todos os problemas, mesmo que agora as pessoas já não sejam mais tão crentes e tal. Isso porque ficou o estigma. O falatório que dá quando alguém se mata. Os cochichos na família, nos vizinhos, né... sempre rola uma "culpa dos pais", é claro.
- Sempre pensei nisso. Olha bem, a gente não é cem porcento livre, mesmo pra se matar. Não que eu não consiga puxar um gatilho ou algo assim, mas uma coisa lá dentro fica dizendo: "bah, e quem fica"? O que as pessoas que gostam de mim vão ficar sentindo? Tu, eu sei que vai ficar orgulhoso e até com inveja, mas e a minha mãe, meu pai?
- Hahah... é, o cara tem essas correntes prendendo no mundo.
A conversa cessou por um tempo. Os copos foram reabastecidos. Um par de animados casais entrou e sentou na mesa ao lado. Também pediram o mesmo chopp. Não tiveram assunto que chegasse perto da profundidade da vida ou dos sentimentos. Os quatro falavam muita bobagem, é verdade, e riam como bobos.
Os dois permaneceram ali, ouvindo os casais. Eventualmente, trocavam olhares e sorriam de canto. Então levantavam o copo e bebiam um gole ressentido, tentando preencher o vazio de seus próprios corpos. O pior de tudo era saber que a felicidade era fácil.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Constância.

O sol ainda iluminava o topo dos edifícios mais altos. O ar entrava frio pelas narinas, para sair quente, logo depois, pela boca já ressecada. Assim ele passava correndo ao lado das grades que protegiam a obra ao longo do arroio. Cheiro de barro no ar. Havia chovido durante o início da tarde e, por isso, alguma água alaranjada ainda estava acumulada perto do meio-fio. Os carros andavam devagar, em fila única, já que a obra ocupava metade da pista. E a fila era grande. Alguns voltavam aos seus recantos, alguns iam aos estudos, alguns à cerveja. Era um joguinho interessante adivinhar aonde iam todos aqueles carros que passavam contra ele. Podia visar o rosto de alguns, embora escurecesse depressa. "Aquela tia ali, no seu Picanto, vai pra academia malhar e ficar em forma. Não pro maridão, claro. Pra algum outro que já tenha, ou que ainda deseja encontrar." O magro rapaz que vem em cima da bicicleta, com a mochila pequena nas costas e o meião até os joelhos era fácil: futebol com os amigos. Ou com o pessoal do trabalho. Depois, cerveja, talvez. Dentro do Corolla que arrastava-se silencioso, mantendo distância mais que prudente do Chevette a sua frente, o homem de meia-idade, com os olhos sumidos, dirigia-se para um lar frio. Mais frio que a rua. Podia ser o maridão da tia da academia. Cada um com seu carro, para evitar muito contato.


De repente, desiste. Não da corrida: os pés continuam firmes, um à frente do outro, no ritmo cadenciado, controlado; máquina precisa. Desiste do joguinho. Aquela altura da vida, perdera a graça todo aquele observa-pondera-apreende-define.


Um dos fones cai do ouvido. Sem parar ou decrescer o ritmo, ajeita-o com cuidado no ouvido direito e isso o faz prestar atenção na música. Kenny G. Que péssima ideia. Não é música de correr. Tateia o bolso e procura o botão que troca as faixas do mp3. É hora de fazer a curva, entrar na Frederico. O cheiro de barro é substituído pelo aroma de orégano da pizzaria em frente ao posto de gasolina. Quem come pizza às cinco da tarde? Pensando bem, não é má ideia. Lembrou que tinha estômago e, este, lembrou que tinha fome. Mas nada de apressar o passo. O importante é constância. Finalmente encontrou trilha sonora apropriada para o momento. Tinha de lembrar de sacar o Kenny dessa lista. "Nada pessoal, Kenny, tu me serves a outros propósitos."


Havia mais carros enfileirados diante da sinaleira, ansiosos para entrarem na fila que já deixara para trás. A vida em sociedade consiste nisso de pular de fila em fila. E a fila anda, para alguns mais rápido, para outros nem tanto. Mas anda, ora ou outra, anda.


A Frederico é uma rua que desemboca na BR. Por conta disso ela começa um aclive sensível, mas notável, principalmente para quem está correndo há certo tempo. Era sempre por ali que ele lembrava que o que estava fazendo era exercício físico. Começava a doer. Ultimamente doía menos, mas doía. Doeria sempre? Ou chegaria um momento em que simplesmente se esqueceria que havia pernas e movimento e atrito? Não sabia, mas continuava correndo. O importante é constância.


Estava chegando à esquina do outro posto de gasolina e da sinaleira, onde mais uma curva à esquerda o esperava. Essa caracterizava o início do retorno, a volta ao lar. Era também o trecho mais penoso. Por ali, de carro em carro, um vendedor de flores, iluminado já pelos postes e faróis. Os buquês, com cinco ou seis peças, enroladas em cones papel pardo, estavam seguros pelo braço direito. Debaixo do boné azul com a inscrição de um nome político e seu número, os olhos miúdos espreitavam os condutores, esperando qualquer aceno afirmativo, seja de mão, seja de cabeça. Não acontecendo, retornava à sua base junto ao canteiro do posto de gasolina, onde outras flores repousavam em um caixote de madeira.


Mantendo o ritmo, o rapaz que corria chegou finalmente à esquina-canteiro-floricultura. Mirou os olhos miúdos e cansados do vendedor e tentou não pensar no assunto. Mas, por causa disso, não reparou em um botão de rosa vermelha que estava caído ali na calçada, provavelmente um botão que fugira daquela vida vazia de ser flor ornamental, sem valor senão pela beleza. Vida com final marcado pela queda das pétalas, pela opacidade da cor, pelo inodoro do cheiro. Desatento, o corredor pisoteou a rosa. Esgaçou-a, rasgando pétalas que ainda nem haviam aflorado. Misturou a essência do perfume com o úmido impuro da calçada, transformando a bela cor uniforme em borrão modernista.


Porém, não parou. Deteve-se, sim, em pensamento, por um instante. "Puxa, que pena." Mas seguiu com o ritmo cadenciado. O importante era constância.


Depois da curva, o aclive era ainda mais acentuado no sentido centro-bairro. Ia subir até o topo da colina, lá onde fica o Nilo, e depois desceria. Já não havia tantos automóveis, mas ainda havia. As pessoas continuavam voltando ou indo, de um lugar a outro, umas mais calmas, outras apressadas. Enquanto contorna o paredão à sua esuqerda que servia de base para a escola lá em cima, cheirava natureza. Natureza úmida, para ser específico. As árvores úmidas, mas mais ainda as folhas caídas e amontoadas na calçada, produziam esse odor agradável que sobrepujava-se aos gases nocivos das descargas. O aclive aumentava e era difícil de manter o ritmo. Suor já lhe descia pelas têmporas avermelhadas e pelas canelas lustrosas. Naquele momento, lembrou da rosa. Daquela rosa que ele esmagara contra o chão úmido.


Teve impulso de voltar e tentar, de algum modo, reparar o dano que causara à inocente flor. Talvez juntá-la e trazê-la em casa, coloca-lá em um vaso com água abundante e cuidá-la com carinho. "Não. Ela quis fugir, saltar fora do buquê, quis tentar outra vida. Agora tem que arcar com as consequências. It's a wild world." Mais uma vez esqueceu dela. Tinha chegado ao topo.


Na descida, o cuidado com a cadência era ainda redobrado. Chegava a contar a respiração. Normalmente, 2x1: inspira, inspira; sooolta. Não lembrava mais da rebelde flor vermelha, porém não a havia esquecido. Ela continuava por ali, como um sussurro inaudível de tudo que poderia ter sido, um sussurro que ele teimava não ouvir. Assim ele seguiu, ritmo certo, à frente. O importante era a constância.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Frio.

De lá vem o vento frio
Que evidencia o vazio
De meu peito aberto
Qual mar
Sem navio a navegar.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Controle da situação.

O árbitro apita e o jogo acabou. Mais uma vez, o seu time o decepcionou. Futebol é ingrato. A paixão de fã é sempre platônica. A relação, complicada, cheia de altos e baixos. Entretanto, desligada a televisão, a vida segue. A ida ao banheiro, o escovar os dentes e o urinar, tudo corre como antes. A noite lá fora, o silêncio escuro da cidade adormecida. Os postes não acendem, problemas decorrentes das fortes chuvas. Chega à cama e estende-se. Cruza as mãos atrás da cabeça e fecha os olhos. Sente falta de alguma coisa. Falta o sono. Ingrediente primordial para adormecer. Na falta de algo melhor, a mente se perde em pensamentos, alguns profundos, outros nem tanto. O que se pode esperar, afinal. Na verdade, não gosta de esperar. Puxa um Bukowski da estante, o último do beberrão. Lê, ri, sente pena. O pobre coitado, tão sem motivos pra viver senão o próximo gole. Gracejando, ainda: "apalpei meu coldre, o 38 estava ali. O melhor pau-duro que um homem pode ter". Quando o escreveu, devia estar nas últimas. Passou hora. Agora sim, dormiria. Fechou os olhos, só mais pensamentos: pegue Bukowski, troque o ácool por analgésicos e adicione um notável M.D. e teríamos um belo Dr House. Porém não é correto comparar pessoas com personagens. Vira para cá e para lá, cobre-se e descobre-se. Pega mais uma vez o livro e lê, ávido. O ponteiro avança cruel, já não há mais esperança, inútil lutar. A batalha acabou e a insônia venceu. Levanta e vai à cozinha. Uma pêra goela abaixo, mas não, ainda falta algo. Na geladeira, um ovo, que não fora apunhalado. É isso e o ovo cozinha. Goela abaixo com sal. Rocky não colocava sal, Rocky também não cozinhava. Já passa das três e o despertador está programado para as seis. Vamos de novo. Deita, fecha olhos e... pensa. Maldição, castigo de deus. Infinita felicidade dos animais que não pensam. Algo está errado ali, dentro do crânio, lhe diz o manual de psicologia de senso-comum brasileiro. Sabe o que há de errado: falta contato, falta cheiro, falta toque. Faltam braços e olhos e boca e pernas e seios. Envia uma mensagem de texto e recebe outra em seguida. O mercado de sms ainda está aquecido: há demanda e há oferta, todo tempo e toda hora, inclusive às quatro da manhã. Há solidão por todo o lado. Devia comprar ações de telefonia. Levanta novamente. Houve contato, nem tudo está perdido. Falta toque, é necessário tocar, sentir, pegar, mexer, tatear, apalpar, apertar. Na sala, liga o vídeo-game. Segura firme o controle e deixa os dedos brincarem alegres.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Oculista.

Fulano: dor nos olhos. Talvez seja hora de visitar o oftalmo de novo...
Cicrana: qual é o teu oftalmo?
Fulano: não tenho um fixo, vou no que der na telha...
Cicrana, olhos de semi-espanto: ?
Fulano: o último que eu fui era ali no centro. Tem algum pra indicar?
Cicrana: o meu é muito bom, lá em Tois-irmón.
Fulano: mas tu ainda usa lente?
Cicrana: sim.
Fulano: então como ele é bom, se não te curou?
Cicrana: ai... eu to enxergando bem com as lentes, significa que ele é bom!
Fulano: há quanto tempo tu vai lá?
Cicrana: quatro anos.
Fulano: mas tu disse uma vez que sempre aumenta um pouco o teu grau...
Cicrana: sim, sempre aumenta, aí tem que trocar a lente e...
Fulano: quer dizer que, além de o médico não te curar, cada vez tua visão piora? E tu continua indo lá? Por quatro anos? E ainda indica esse charlatão pra que eu vá?
Cicrana: ai.